![]() |
| The New York Times do dia 1º de setembro de 1939 |
Desencadeia-se a guerra
relâmpago
O alto Comando do Exército, aproveitando
a vantajosa posição das fronteiras alemães que, pelo Oeste, Norte e Sul,
envolviam quase totalmente o território polonês, dividiu os seus efetivos em
duas grandes massas de ataque.
O grupo de exércitos Sul, comandado pelo
General Rundstedt, executaria a manobra decisiva da campanha. Como tal fim, lhe
foram consignadas 35 divisões, compreendendo o grosso das forças blindadas: 4
divisões Panzer, 3 divisões mecanizada e 2 motorizadas. A missão de Rundstedt
seria apoderar-se da importante região carbonífera da Silésia polonesa, para,
em seguida, avançar rapidamente até Varsóvia e as margens do Vístula,
conquistando a capital e unindo as suas forças ao desse rio com as unidades do
grupo de exércitos Norte. O exército polonês ficaria, assim, cercado de norte a
sul e não poderia construir nova linha defensiva por trás do Vístula. O grupo
de exércitos Norte, comandado pelo General Von Bock, contaria com 25 divisões:
1 Panzer, 2 mecanizadas e 2 motorizadas. Depois de destruir as unidades
polonesas no corredor de Dantzig, avançaria para o sul, flanqueando os rios
Vístula e Narew, para estabelecer contato com as tropas de Rundstedt.
![]() |
| Gerd von Rundstedt e Fedor von Bock |
O Comandante-em-chefe do exército
polonês, Marechal Smigly-Rydz, enfrentava um problema insolúvel para defesa de
seu país. As suas forças eram totalmente inferiores, em número e armamento, aos
exércitos alemães. Contava apenas com um punhado de ultrapassar os tanques
franceses e britânicos e a força aérea reduzia-se a cerca de 400 velhos
aparelhos. Smigly devia optar entre duas possibilidades: situar os exércitos na
fronteira, a fim de defender a região ocidental, onde se concentram as
indústrias, ou colocar-se por trás da barreira fluvial, formada pelos Rios
Vístula e Narew, com objetivo de enfrentar a Wehrmacht em forte posição
defensiva. No primeiro caso, corri o risco de ver os seus exércitos aniquilados
nos primeiros dias de luta; no segundo, perderia a fonte de abastecimento e se
veria obrigado a render-se em curto prazo.
![]() |
| Marechal Smigly-Ridz |
Jogando tudo na mesa, Smigly resolveu finalmente enfrentar o choque da Wehrmacht na própria fronteira. Com esta finalidade, dividiu as suas forças em três grandes setores. No norte, à frente da Prússia oriental e a Pomerânia, dispôs 3 exércitos, integrados por 15 divisões de infantaria e cinco brigada de cavalaria; no centro, resguardando a rica província de Poznan, situou o grosso das suas forças, dois exércitos compostos por 9 divisões de Infantaria e 4 brigada de cavalaria, apoiados na retaguarda pelo exército “Prússia”, integrado por seis divisões de infantaria, uma brigada motorizada e uma brigada de cavalaria; finalmente, no sul, em Cracóvia e nos Cárpatos, destacou dois exércitos: 8 divisões de Infantaria, duas brigadas motorizadas e uma brigada de Cavalaria.
Começa a luta
Na madrugada de 1º de setembro, o
General Sucharski reuniu os seus homens e anunciou que o ataque alemão poderia
desencadear-se de um momento para o outro. Os 180 soldados do seu destacamento
escutaram em silêncio a terrível notícia. Sabiam que não teriam escapatória,
mas, estavam dispostos a vender caro suas vidas. Entrincheirados na ilha de
Westerplatte, frente ao cais de Dantzig, esse punhado de heróis teria que
enfrentar três mil soldados alemães.
Às 4:45 da madrugada, abate-se sobre a
costa violento bombardeio. O couraçado “Schleswig Holstein”, navio-escola da
Kriegsmarine, que poucos dias antes estivera em Dantzig em “visita de
cortesia”, disparou, com os seus gigantescos canhões de 16 polegadas, a
primeira descarga da Segunda Guerra Mundial.
![]() |
| Couraçado Schleswig Holstein |
Inicia-se uma luta encarniçada e
sangrenta. Durante todo o dia, a artilharia e os stukas lançam um dilúvio de
fogo e aço sobre o reduto de Westerplatte. Os poloneses, com decidida bravura,
rechaçam o ataque dos soldados alemães. Ao cair da noite, a luta prossegue com
maior fúria. Os nazistas, utilizando lança-chamas, destroem os ninhos de
metralhadoras e aniquilam os seus defensores. Sucharski reúne os sobreviventes
e continua resistindo até o dia 6 de setembro, a heroica guarnição rechaça 12
assaltos inimigos. Chega ao limite da resistência. Em 7 de Setembro, ao
despontar o sol, os canhões alemães desatam um bombardeio demolidor sobre as
posições polonesas. Entrincheirados nas ruínas dos edifícios, Sucharski e os 60
Sobreviventes estão prontos a enfrentar o ataque final. Os SS avançam entre os
escombros e tratam com os poloneses uma desesperada luta corpo-a-corpo. Uma
hora depois, tudo está terminado.
Primeiro comunicado
oficial alemão
Berlim,
1º de setembro de 1939
“No curso das operações militares na Silésia,
Pomerânia e Prússia oriental, foram conquistados todos objetivos do primeiro
dia. A aviação alemã, atuando com o maior entusiasmo, bombardeou com completo
êxito, os aeroportos de Rahmel, Quztig, Graudenz, Poznam, Loos, Tomaszow, Buda,
Kattowitz, Cracóvia, Lemberg e Brest, destruindo todas as bases militares
desses lugares. As tropas do Sul, que avançam através das montanhas, chegaram a
uma linha entre Neumarket, Susha, ao sul de Maerich, e o rio Olsa foi
atravessado perto de Puschen. Na zona industrial de Sude, as tropas avançaram
até Kattowitz. Vários contingentes de tropas, que operam na Silésia, avançaram
para o norte, em direção a Pschenstaochau. As tropas que operam no corredor,
desde Brahe, chegaram ao Rio Netze, perto de Nakelin, nas proximidades de
Grausentz.
As primeiras horas da
Guerra em Berlim
Pode-se dizer que a capital do Reich não
foi afetada pelas atividades bélicas. Durante o discurso de Hitler em frente ao
Reichstag, um reduzido grupo de pessoas aglomerou-se ante a chancelaria, na Wilhelm-strasse.
Hitler foi aclamado quando passou rapidamente e, minutos depois, ocorreu um
incidente embaraçoso: vários guardas alinharam-se em frente à chancelaria e
começaram a gritar: “queremos ver o nosso Führer”, mas a multidão não os
imitou. Os semblantes graves dos presentes iluminaram-se por um momento, quando
chegou um carro equipado com câmeras fotográficas e levando fotógrafos, que
faziam às vezes de animadores, para que as fotos fossem mais espontâneas. Entre
risos, muitos respondiam com Heils, embora não houvesse ali ninguém para ser
aclamado, exceto os fotógrafos.
No geral, a calma foi total entre a
população, que recebeu a notícia do início das hostilidades quase com apatia.
Primeiro comunicado
oficial polonês
Varsóvia,
1º de setembro de 1939
“Pouco depois das 7:00, os alemães
iniciaram ações militares em diferentes locais da Fronteira. Isto constitui,
indubitavelmente, uma agressão alemã contra a Polônia. Ação militar está agora
em desenvolvimento”.
As primeiras horas da
Guerra em Varsóvia
Os habitantes da capital da Polônia
tiveram, pouco depois de ouvir o primeiro comunicado oficial, a primeira
sensação direta do conflito, ao soar as sirenes de alarme dos ataques aéreos.
Às 9:00 da manhã, já se começou a ouvir um nutrido fogo de artilharia nos
arredores da cidade, onde entraram em ação às baterias antiaéreas, que
disparavam sem interrupção, distinguir-se em meio ao continuo estalido das
granadas, ocasionais estampidos de bombas e zumbido dos motores dos aviões. Uma
chuva miúda caiu sobre a cidade e o céu nublado não permitia divisar os
aparelhos incursores.
Desde os primeiros toques das sirenes, a
cidade Ficou quase completamente deserta. Todos correram a refugiar-se os
edifícios demais sólida construção. As sirenes começaram a suar um quarto de
hora antes de seu vem as primeiras detonações, às 8:45 da manhã. As ruas
estavam então muito movimentadas. De imediato, produziu-se uma dispersão geral
e todo mundo correu a amparar-se nos edifícios mais próximos.
A cidade tornou-se repentinamente
tranquila, silenciosa. O trânsito ficou reduzido a alguns automóveis, que
passavam a grande velocidade.
Ás 9:30 da manhã foi dado o sinal de
perigo passado e o trânsito voltou ao ritmo normal. Meia hora mais tarde,
tornaram a soar ás sirenes, mas foi um sinal de falso alarme, com sinal de
perigo passado 20 minutos após. O terceiro alarme do dia 1º de setembro começou
às 12:40. Dez minutos depois escutou-se o fogo das baterias antiaéreas dos
subúrbios do Oeste. Ás 12:57 o alarme.
Referências
bibliográficas:
Texto integral da obra: A segunda guerra
mundial, Editora Codex S.A. Copyright 1965/66.




Nenhum comentário:
Postar um comentário